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17 de dezembro de 2017

Uma Nova Vida - Capítulo 15

dezembro 17, 2017 0 Comments

Malu ficou no apartamento de Erick por mais algumas horas. Eles assistiram TV. Mais tarde, eles se despediram. Malu ainda sentia algo estranho, mas voltou logo para casa, guardou as compras e foi descansar. E dormiu até o dia seguinte.

            O domingo amanheceu um pouco frio. Erick tomou um café com leite e ligou para Malu.
- Oi meu amor, bom dia! Você se sente melhor?
- Ainda não. Já liguei para a minha mãe e ela disse que por lá está tudo bem. E você, tá bem? Eu to preocupada. É um mau pressentimento. Acho que vou meditar um pouco, comer alguma coisa, assim eu paro de pensar nisso.
- Sim, faça isso! À noite a gente se vê. Eu te amo!
- Também te amo. Eu passo aí para te pegar as dez horas, tudo bem?
Depois do almoço, Clara passou na casa de Erick. Ela não cansava de ir atrás do menino, principalmente agora que Malu estava morando longe dele, deixando-o carente de atenção.
Erick atendeu o interfone. Clara pediu para subir, mas Erick disse que não se sentia bem. Clara insistiu tanto que ele deixou que ela subisse. Ele fez cara feia para ela.
- Ai, Erick, credo! Que ingrato você é, hein! Eu só vim cuidar de você um pouco, já que a Malu te abandonou.
- Ela não me abandonou! – gritou ele – Pois fique sabendo que ela veio aqui ontem mesmo, só pra me dar um beijo.
- Nossa, ela saiu daquele fim de mundo só pra vir aqui te dar um beijo? – riu Clara, com ar de deboche.
Erick irritou-se:
- Olha, Clara, o que você veio fazer aqui exatamente? Eu não tenho tempo e nem paciência para as suas bobagens!
- Calma, lindinho! Só vim ver se você tá precisando de alguma coisa. Eu não sabia que a Malu tinha se lembrado de você.
- Para de falar assim! Eu não sou um coitado, abandonado pela namorada, como você pensa! E quantas vezes eu já disse que eu e você somos apenas amigos?
Erick empurrou Clara para a porta.
- Agora que você já viu que eu não preciso de nada, pode ir embora.
- Mas Erick...
- Sai da minha casa!
- Erick, eu te amo... – disse ela, passando as mãos no peito do menino.
- Para, Clara! Não me provoque!
- Então você gosta de carinho assim... – disse ela, roubando-lhe um beijo na boca.
Erick perdeu a paciência e empurrou Clara, que quase caiu.
- Sai daqui e não volte nunca mais! E não precisa se encontrar com a gente na balada, porque se você aparecer por lá eu não respondo por mim!
Clara saiu chorando e gritou no corredor:
- Eu vou aonde eu quiser, seu idiota! – e saiu correndo, batendo o portão de entrada do prédio, fazendo com que o alarme disparasse. Mas ela não foi embora. Ficou dentro do carro, chorando e pediu que o motorista saísse do carro. Quando ela quisesse ir embora, ela o chamava.
Erick precisou descer para desligar o alarme. Depois subiu as escadas, muito ofegante e ligou para Leandro.
- Cara, eu preciso esfriar a cabeça. A Clara acabou de sair daqui, chorando, nós discutimos feio. Vamos pra balada mais cedo? Já deve estar aberta, é quase noite.
- Beleza, cara. Vou me arrumar e a gente se encontra lá.



Erick ligou para Malu e pediu que ela o buscasse em casa. Ele estava muito nervoso. Tomou uns goles de vinho e, em meia hora, já estava no carro de Malu.
- O que aconteceu, meu amor?
- A Clara me tirou do sério. Eu conto pra você e para o Lê quando chegarmos.
Malu percebeu que ele havia bebido, mas não disse nada, para não deixá-lo pior.
Chegando na balada, que estava vazia, pois havia acabado de abrir, Erick contou ao amigo e à namorada o ocorrido.
- Que falsa! Nós demos uma chance e ela ainda disse que não queria roubar você de mim e que era só um mal entendido. O pior foi que eu acreditei nela, e esse tempo todo ela estava de olho em você, meu amor – disse Malu, furiosa.


Leandro foi buscar um refrigerante. Erick pediu várias bebidas; e bebeu muito o resto da noite. Enquanto Leandro e Malu se divertiam dançando, Erick se “afogava” em mágoas. Malu parou de dançar um pouco e foi falar com o namorado:
- Amor, você não devia beber tanto! Esquece a Clara, ela só quer nos prejudicar. Vamos dançar um pouco, você não queria esfriar a cabeça? Então, para de beber e vem!
- Não dá pra esquecer, amor. Só bebendo pra eu me sentir melhor.
- Não, meu lindo. Não vale a pena estragar a sua vida bebendo, por causa de ninguém. Ela não é mais nossa amiga, vamos esquecer que ela existe.
Malu abraçou Erick e permaneceu assim por um bom tempo. Ainda tinha a sensação de que algo ruim poderia acontecer, mas ela não quis dizer nada para ele não se preocupar.
- Olha amor, eu já to me sentindo melhor. Acho que ontem passei mal por causa disso, eu deveria estar sentindo que algo ruim ia acontecer e aconteceu.
- Pode ser. Minha cabeça está explodindo. Vamos embora?
- Claro, vou chamar o Lê.
Na porta da balada, Erick pegou a chave do carro de Malu e disse que ia dirigir.
- Não, amor! Você não está em condições de dirigir. Devolve a minha chave; eu deixo vocês dois em casa.
Erick não quis nem saber, e respondeu:
- Eu to bem, posso dirigir, galera.
- Amor, você está com sono. É melhor então eu chamar um táxi para você.
- Eu juro que eu to bem!
Leandro intrometeu:
- Não, Erick, você não pode dirigir assim. E o carro nem é seu!
- Ah, a Malu me empresta... Vamos, gente! Deixa de frescura, nem tem trânsito mais.
Pelo contrário, a avenida estava muito movimentada. Erick entrou no carro. Malu entrou do seu lado e tentou impedi-lo de ligar o carro, mas não conseguiu. Ele acelerou, desviando de vários carros e passando na contramão.



Leandro gritou:
- Ei, para o carro!
Mas nada adiantou. Erick sentia muita raiva de Clara e, enquanto dirigia só via a imagem dela na sua frente.
Um caminhão vinha em sua direção. Erick estava na contramão e Malu colocou a mão no volante, tentando desviar, mas Erick fez força e virou de volta, em direção ao caminhão.



13 de dezembro de 2017

Você sabia? A Origem do Amigo oculto

dezembro 13, 2017 0 Comments

Amigo oculto ou amigo secreto é uma das "brincadeiras" mais divertidas de fim de ano, de confraternização entre amigos e a família. Eu trouxe hoje um pequeno texto explicando um pouco sobre a história do amigo oculto. Mas pouco se sabe sobre a origem do mesmo. Vamos lá!

10 de dezembro de 2017

Uma Nova Vida - Capítulo 14

dezembro 10, 2017 0 Comments

Clara colocou Erick para dormir, igualzinho a uma criança mimada e deixou um bilhete, antes de sair, que dizia: “Erick, deixei um chá pronto e umas torradas com geléia no pote marrom. E se cuida! Não quero passar o domingo preocupada com você.”

Na manhã seguinte, assim que Erick acordou, viu o bilhete e sorriu. Depois pensou:
- O que você tá fazendo, Erick idiota? Não devia ter bebido ontem e deixado a Clara entrar. Você tem namorada, esqueceu? – e bateu em si mesmo.
Malu pegou um táxi e foi ver o namorado. Ela levou o almoço de Erick e uma sobremesa que ela mesma preparou. Eles se beijaram. Malu não gostou de ver Erick naquele estado, meio deprimido. Estava com olheiras enormes e parecia pálido.
- Meu amor, por que está assim?
Erick começou a chorar e abraçou Malu, respondendo:
- Eu te amo tanto, Malu. Depois de tanto tempo nos encontrando todos os dias, tá muito difícil desse jeito. Não sei se vou suportar essa distância. Isso está me matando.
- Não, Erick, para de falar bobagem. Você precisa se cuidar. Olha, amanhã você volta para o trabalho e vai ver que a semana será tão produtiva que você nem vai ver passar. E quando chegar o fim de semana, a gente se encontra de novo. Mas você vai ter que me prometer que vai se cuidar, senão vai acabar perdendo o emprego dos seus sonhos.
- Só se você prometer que vai passar um fim de semana inteiro comigo.
- Ah, amor, mas fica complicado eu ter que vir nos dois dias.
- Eu to dizendo pra vc dormir aqui. Por favor, linda!
Erick estava tão carente de atenção que Malu prometeu voltar no próximo sábado e ir embora só no domingo.
Durante aquela semana, Malu resolveu tudo o que estava pendente. Inclusive comprou seu carro. Era uma perua rosa claro, do jeitinho que ela imaginava.
Erick decidiu que também tiraria carteira de habilitação, pois achara injusto só a Malu poder visitá-lo. Ele também queria aparecer em sua casa de vez em quando, com seu próprio carro, e não de táxi.
Malu avisou à sua mãe que passaria o fim de semana na casa de Erick e o ajudaria com as lições da auto-escola, que ele começaria na próxima semana. Como era época de férias, ele conseguiu uns dias de folga do trabalho para se dedicar aos exames de direção.
Sábado finalmente havia chegado. Malu foi para a casa de Erick. Eles almoçaram comida congelada, estudaram bastante e, à noite, assistiram a um filme.
Erick pediu que Malu dormisse em sua cama, mas prometeu que não aconteceria nada entre eles. Ficariam apenas agarradinhos. E foi assim que eles passaram a noite, abraçados. Eles se conheciam tão bem que podiam confiar plenamente um no outro.
Na manhã seguinte, Malu se levantou bem cedo, preparou um café delicioso com panquecas integrais e mix de frutas e levou na cama para o namorado. Erick acordou tão bem! Não queria de jeito nenhum que aquele momento terminasse. Mal sabia ele que sua vida mudaria em poucos dias.
A próxima semana passou voando. Erick finalmente terminou as aulas de direção, mas ainda não comprara seu carro. Estava tão atarefado que não tivera tempo de ver isso. Ele retornaria ao trabalho logo e deveria terminar um projeto.
No próximo fim de semana ele ficara sozinho em casa. Sentiu muito a falta de Malu, mas precisava focar no trabalho.


Leandro passara em seu apartamento para lhe fazer uma visita e conversar um pouco; já que eles não se viam mais na escola todos os dias, o jeito era se encontrarem de vez em quando. Leandro abraçou o amigo.
- Cara, quanto tempo! A Clara me contou que você andou bebendo.
- Ih, lá vem a fofoqueira! Ah, cara, nem te conto! Eu comecei a ficar louco e me senti isolado aqui nesse apê. Mas depois a Malu veio dormir comigo e eu melhorei um pouco.
Leandro bateu no peito do amigo, sorrindo:
- Hummm! Dormiram juntos! Por que não me contou antes, hein? – disse ele.
- Não, não teve nada disso que você está pensando. Não rolou nada, eu só precisava de carinho.
- Ah, amigão, eu hein! Teve oportunidade e perdeu?
- Mas não é para ser assim! A hora certa vai chegar, cara! Eu não tenho pressa para isso; tenho outras prioridades por enquanto. E você, não arrumou nenhuma menina ainda?
- Pois é, assim como você, eu tenho outras coisas para me preocupar. E foi bom você tocar no assunto, porque eu tenho uma notícia bem legal para te dar.


Erick ofereceu uma bebida ao amigo.
- Não, valeu. Eu não gostei muito desse negócio.
- Isso é licor de cacau, a Clara trouxe pra mim.
- Entendi... ela não gosta que você bebe mas traz bebida? Vai entender... bom, deixa eu te contar a notícia, então.
Leandro continuou:
- Então, a empresa onde eu faço estágio tá me convidando para um evento em Londres, onde eu vou conhecer vários Geeks, participar de conferências e até ganhar um novo tablet. É tipo um curso, e o bom é que é tudo pago por eles! Mas eu vou passar dois meses fora... Então eu vim pedir para você se cuidar, cara. Sou seu melhor amigo e me preocupo com você. Eu já to ansioso e comecei até a arrumar as minhas malas!
Erick parabenizou o amigo. Eles acabaram tomando um pouco de licor, depois de tanta insistência de Erick.
- Que tal se a gente programasse algo pra semana que vem, antes da sua viagem?
- Beleza, e o que você sugere? Eu conheço uma balada super maneira lá perto de casa.
- Então tá fechado, vamos lá, nós quatro. Temos que comemorar a sua viagem!
Os dois amigos estavam muito felizes. Erick ligou para a sua mãe e pediu que ela fosse conhecer seu apartamento e sua namorada. Mas ele queria fazer suspense e não contou nada sobre Malu, inclusive que pediria ela para ser sua noiva.
No dia seguinte, a mãe de Malu viajou novamente para o Canadá. Ela passaria um bom tempo fora fazendo compras e namorando o marido. Seria uma segunda lua-de-mel. Ela traria vários presentes para a filha.
Erick entrou no chat e falou com Malu pela câmera:
- Oi meu amor, como passou o fim de semana?
- Foi chato sem você. Minha mãe viajou para o Canadá de novo para ver meu pai. Mas dessa vez vai demorar muitos dias para voltar. Se a minha casa já era vazia sem meu pai, agora então tá pior.
- Você podia vir pra cá de novo.
- Ah, amor, dessa vez eu não posso, desculpa... eu prometi à minha mãe que cuidaria da casa, do jardim dela... além do mais eu tenho que terminar de preparar as minhas coisas pra faculdade, que começa semana que vem, lembra?
Erick ficou chateado, mas tentou entender.
- Tudo bem, mas olha só. No próximo domingo nós vamos na balada - eu, você, o Lê e a Clara, tudo bem?
Erick contou sobre a viagem do amigo. Depois de um bom tempo conversando, Malu mandou um beijo para Erick, que não perdera o costume de fazer um coração com as mãos.
E mais uma semana se passou. Erick não via a hora de se encontrar com Malu para dizer que a amava pessoalmente.
No sábado, Malu saiu para fazer compras e passou no apartamento de Erick para lhe dar um beijo.
- Meu amor, que surpresa! Eu não via a hora de te ver e te abraçar! Eu te amo, amo muito e sempre vou amar, entendeu?
Malu sorriu e retribuiu todo aquele amor, enchendo Erick de beijos e lhe deu um abraço bem apertado, como se eles não se vissem há meses. De repente, bateu uma angústia e Malu começou a chorar. Ela não se sentia bem.
- O que foi, linda? Quer um copo d’água?
Malu não conseguia responder. Erick buscou a água e ela bebeu tudo de uma vez. Depois enxugou as lágrimas.
- Eu não sei o que deu em mim. Senti um aperto no peito.
- Tipo uma dor no coração? Quer que eu chame um médico?
- Não, não precisa. Não foi bem uma dor, mas uma sensação ruim. Amor, olha para mim. Promete que vai se cuidar, por favor!
- Pode deixar, meu amor. Não se preocupe! – respondeu ele, e a abraçou.

Malu ficou no apartamento de Erick por mais algumas horas. Eles assistiram TV. Mais tarde, eles se despediram. Malu ainda sentia algo estranho, mas voltou logo para casa, guardou as compras e foi descansar. E dormiu até o dia seguinte.


3 de dezembro de 2017

Uma Nova Vida - Capítulo 13

dezembro 03, 2017 0 Comments

Aquele sábado fora bem agitado. O avô de Erick fora embora para o interior e Erick já havia procurado um corretor para vender seu casarão.

No domingo, Malu e Erick almoçaram juntos. Ela ainda não se conformava com a venda da casa.
- Amor, por que você não desiste de vender sua casa e só aluga? Vai que um dia você resolve voltar...
- Essa casa me traz lembranças boas sim, mas as ruins são as piores. Ainda mais morando sozinho... eu começo a pensar um monte de coisas, lembro dos meus avós, da minha infância com minha mãe e tudo de ruim que passamos... Meu pai gosta de me provocar! Tudo o que ele faz é para me chatear. Eu não quero continuar vivendo aqui para lembrar das maldades dele.
- E você não vai sentir a minha falta?
Erick abraçou Malu e disse que sentiria muito, mas a distância não seria problema para dois corações apaixonados. Eles dariam um jeito de se encontrarem nos fins de semana e, enquanto estivessem estudando, iam se ver na escola.
No dia seguinte, a mãe de Malu voltara de viagem. As duas tinham muitas novidades para contar uma à outra. E passaram a tarde toda colocando as fofocas em dia.
Erick voltara do estágio mais cedo para estudar um pouco. Clara estava numa rua perto da casa dele, e o viu indo para casa. Ela foi até lá e tocou o interfone:
- Oi Erick, está sozinho?
- Sim, por quê? O que quer?
- Calma, só vim te ver um pouco.
Erick abriu o portão e a recebeu na porta da sala. Clara continuou:
- Ainda bem que a Malu não está aqui, porque tudo é motivo para ela brigar comigo... Então, depois de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo na sua vida, queria saber como você está.
- Estou péssimo, não poderia estar pior! – gritou ele.
- Ai, quanto estresse! Mas você sabe que pode contar comigo, não me chama porque não quer. Eu estou livre todas as tardes.
- Sei disso, mas eu tenho a Malu. E para de ficar vindo aqui porque pega muito mal, não estamos em grupo...
- Ah, Erick, eu não vou mais tentar atrapalhar seu namoro com a Malu.
- E mudou de ideia de repente por quê?
Clara desviou o olhar, pensativa. Depois sorriu para Erick e respondeu:
- Eu pensei bem e vi que tudo o que eu fiz para te conquistar foi em vão e que... você nunca vai me amar como ama a Malu.
Clara estava sentindo muita raiva em ter que dizer aquilo, mas no fundo ela sabia que ia conseguir o que queria, assim que Erick se mudasse daquela casa. Ela jamais desistiria do amor da sua vida
Erick não era bobo e desconfiou de toda aquela conversa. Ele sabia que não podia confiar em Clara e a conhecia o suficiente para saber que ela não desistia fácil das coisas que queria. Mas se fosse verdade, seria ótimo para ele e Malu.
- Ainda bem que você pensou melhor sobre isso. Isso era o mínimo que você deveria fazer, em respeito à amizade entre você a Malu. Você sabe que eu apenas te suportava pela amizade de vocês... e você acabou confundindo as coisas.
- Eu não confundi nada! Já disse que te amava muito antes da Malu aparecer na sua vida. Mas se você preferiu ficar com ela, o que mais eu posso fazer? Só fique sabendo que meu amor por você não acabou, eu só vou tentar fingir que está tudo bem, para não causar mais confusão.
Leandro também não via a hora de Erick se mudar dali para ele poder visitar Malu. O que ele não teria coragem era de ficar dando em cima de Malu, assim como Clara fazia com Erick, pois, para ele, a amizade de Erick era mais importante.
O resto do ano passou muito rápido. Houve uma festinha de formatura do Ensino Médio e, logo depois Malu fizera vestibular e passara; ia estudar Jornalismo.
Erick completara dezoito anos e, de presente, seu chefe lhe contratou como profissional. Isso significava mais trabalho, maior salário, mais responsabilidade e transferência de emprego para a Sede da empresa. Erick trabalharia como ilustrador de uma grande revista da editora, porém o escritório era em um bairro bem distante de sua casa; ele não poderia recusar, já que estava realizando seu maior sonho.
Havia uma família interessada em comprar sua casa, mas o preço que pedira estava um pouco acima do que a família poderia pagar; como Erick precisava se mudar logo para começar no seu novo emprego o quanto antes, decidiu vender sua casa por um preço menor e comprar um apartamento próximo à Sede da editora.
Malu não gostou, mas se Erick estava feliz, era o que importava. Ela se dedicava às aulas de direção, enquanto as aulas da Faculdade não começavam e, por isso não ficava pensando muito na mudança de casa do namorado.
Ela estava disposta a comprar um carro para visitar o namorado todo fim de semana, já que Erick havia dispensado seu motorista e agora voltara a andar de táxi. Ele não tinha tempo para entrar na auto-escola; estava trabalhando muito e seu interesse por dirigir era mínimo. Como seu emprego era muito próximo ao seu novo apartamento, ele podia ir a pé.



No aniversário de Malu, Erick quis fazer uma surpresa e convidou Clara e Leandro para seu novo apartamento. Os três prepararam uma festinha. Era a primeira vez que os quatro bebiam cerveja. Erick adorou. Malu preferiu tomar o vinho que Leandro levara. Leandro não gostou muito de nenhuma bebida e preferiu ficar no refrigerante. Clara acompanhou Erick na cerveja e, mais tarde abriram um champagne.
Depois de tanta bebida, cantaram “Parabéns” e comeram torta de chocolate. Erick e Malu passaram o resto da noite abraçados, trocando beijos e carícias.
Clara deitou-se no sofá e acabou dormindo. Leandro chamou um táxi e a levou para casa.
Malu não queria ir embora, e não queria que aquela noite acabasse, porque quando voltasse para casa estaria longe de Erick. Não era mais como antigamente, que bastava atravessar a rua e acenar do portão. Isso era muito triste.
- Eu não queria ir embora, meu amor, mas minha mãe precisa de mim em casa, e eu não gosto de deixá-la sozinha nem preocupada.
Eles se despediram e Malu entrou no táxi. Ela gritou:
- Te amo e obrigada pela festa!
Erick, como de costume, fez um coração com as mãos. Começou a chover e ele acabou ficando ali, na chuva, encharcado, pensando em Malu. Só depois, quando a chuva parou que Erick entrou no prédio e pensou:
- Malu... que falta você me faz! Queria me casar com você...
Erick tinha bebido um pouco além da conta.
No dia seguinte, Erick dormiu até tarde. Ainda bem que era sábado e ele não trabalhava. Ele desejara que Malu tivesse dormido em seu apartamento e, quando acordasse receberia o café-da-manhã na cama, com muitos beijos apaixonados. Mas isso não acontecera.
Quando acordou, seu apartamento estava uma bagunça por causa da festa e ele não tinha nada para comer. Erick precisou sair para fazer compras.
Quando voltava das compras, Clara apareceu oferecendo ajuda com as sacolas. Ele não esperava vê-la e perguntou:
- Clara, você por aqui a essa hora?
Ela disfarçou:
- Ah, é que... eu estava fazendo caminhada. Você sabia que naquela avenida nova, ali embaixo, tem pista de Cooper e ciclismo? Então, eu ia lá agora.
- Ah, sei, mas pode deixar que eu consigo carregar as minhas sacolas sozinho. Sou forte o suficiente.
- Eu sei disso, fortão! Vai lá, então. Eu vou fazer minha caminhada matinal que eu ganho mais!
Erick reparou no look esportivo de Clara, e pensou:
- Nada mal! Pelo menos ela não estava mentindo, como das outras vezes que esbarrou comigo dizendo ser por acaso.
Malu foi à praça para pensar um pouco. Precisava descansar a cabeça, enquanto ouvia o canto dos pássaros. Sua mãe voltaria para o Canadá em algumas semanas para visitar seu pai. Ela aproveitou para estudar um pouco. Seu exame de direção seria em duas semanas e, assim que passasse, compraria um carro.
Enquanto Malu relaxava apreciando a natureza, Erick ligou para ela, morrendo de saudades.
- Oi meu amor, tá muito difícil ficar aqui sem você.
- Aqui também. Eu estou na nossa pracinha, lendo um pouco. Não vejo a hora de tirar carteira. Minha mãe saiu e eu fiquei sozinha em casa, aproveitei para esfriar a cabeça.
- Minha vida está tão chata... Passar o fim de semana sem você vai ser complicado.
- E por que vai passar longe de mim? É só você vir até aqui, ora!
- Ah, eu to meio cansado. Depois da festa ainda tive que limpar toda a sujeira, fazer umas comprinhas... vida sem empregados é bem difícil... Se pelo menos eu estivesse aí, era só atravessar a rua pra te ver.
- Sim, mas você sabia que seria complicado e mesmo assim aceitou por causa do trabalho. Não está satisfeito com isso?
- Com o trabalho, sim. Mas longe de você não dá, as horas não passam. Aquela frase que todo mundo diz, agora faz todo o sentido para mim.
- Que frase?
- Não se pode ter tudo o que quer. Agora que realizei um sonho de trabalhar na editora, estou sem você.
- Amor, para de bobagem, você não está sem mim. Olha, eu já disse que vou comprar um carro e poderei te visitar sempre.
Eles se despediram. Erick aproveitou o resto do dia para descansar.
À noite, Clara foi lhe fazer uma visita.
- Oi Erick, sou eu, Clara.
Erick abriu o portão e Clara subiu as escadas. Ao ver o estado em que ele estava, Clara fez o maior escândalo.
- Mas o que deu em você? Está tão acabado! Não, já para o banheiro! Vai tomar um banho que eu vou arrumar um pijama para você.
- Eu to cansado. Tenho trabalhado demais e a Malu não tá aqui pra me fazer companhia.
- Ai Erick, você bebeu, não acredito! Mas que bafo horrível! Vai logo tomar banho e escovar os dentes! Eca!
Clara colocou Erick para dormir, igualzinho a uma criança mimada e deixou um bilhete, antes de sair, que dizia: “Erick, deixei um chá pronto e umas torradas com geléia no pote marrom. E se cuida! Não quero passar o domingo preocupada com você.”


29 de novembro de 2017

26 de novembro de 2017

Uma Nova Vida - Capítulo 12

novembro 26, 2017 0 Comments

- Já chega, Clara, sai da minha casa, por favor!
- Não me trata assim! Eu tenho sentimentos... e você faz questão de pisar neles!
Clara saiu correndo chorando; entrou no carro e se foi.

Na semana seguinte, mais uma vez, Erick e Clara mal se olharam na escola. Malu achou aquilo estranho e perguntou o que havia acontecido, mas Erick inventou que estava muito focado nos estudos e no estágio e não podia ficar de papo com ninguém. Malu entendeu e o abraçou. Depois foi fazer companhia à Clara, que fingiu estar bem. Leandro estava lanchando e ficou observando as meninas, de longe.
Malu disse à Clara:
- Oi, está tudo bem?
- Está sim, por quê?
- Eu pensei em te chamar pra passar a tarde lá em casa, já que a minha mãe tá viajando e o Erick vai para o estágio.
Clara pensou e aceitou o convite, pois queria estar mais perto de Malu para tentar descobrir mais alguma coisa interessante sobre o Erick, além de suas comidas e música favoritas.
- O Erick hoje está meio na dele, não quer conversar – continuou Malu.
- É, eu percebi. Coitadinho, deve ter mil coisas na cabeça; não deve estar sendo fácil o estágio, a escola e o curso de desenho, e ainda cuidar dos avós dele. Ainda bem que meus empregados cuidam do meu avô.
O sinal tocou e todos foram para a sala. Malu nem pôde responder Clara, que saiu correndo para a sala de aula.
Depois da escola, Erick passou na casa de Malu só para lhe dar um beijo, antes de ir para o estágio. Ela ficou muito feliz com a surpresa e o abraçou, dizendo que o amava.
- Eu te amo muito mais, Malu! Tenho que ir agora – respondeu ele.
Mais tarde, Clara visitou Malu, que a levou para o seu quarto:
- Vou te mostrar os desenhos que o Erick me deu.
Malu ligou o som, para não ficar um silêncio chato e mostrou os desenhos à Clara. Clara mal prestou atenção, e já começara a provocar:
- Malu, você já percebeu que o Lê não tira os olhos de você?
- O Lê? Como assim? Não, você deve ter visto errado.
- Tá querendo dizer que eu não enxergo bem?
- Não, Clara, talvez o Leandro tenha olhado para outro lado e você achou que ele estava olhando pra mim...
- Ah, mas eu não vi só uma vez. Ele sempre te olha diferente, parece que gosta de você.
- Pode parar Clara, não inventa!
- E você, não sente nada por ele?
Malu não era boba e percebeu que Clara queria que ela ficasse com Leandro só para ela ficar com Erick, e respondeu, séria:
- Eu e o Leandro somos apenas amigos! Só isso e nada mais! E mesmo que o Lê quisesse alguma coisa comigo, eu amo o Erick.
Clara continuou provocando:
- E você acha que vai ficar com o Erick até quando? Você acha que vai se casar com ele? E se ele deixar de te amar, hein?
- É claro que nós não sabemos o futuro, mas se não tiver nada e nem ninguém para nos atrapalhar podemos nos casar, sim!
Clara fez uma cara de quem não gostou daquilo, mas para evitar confusões de novo com o grupo, resolveu ficar quieta.
Mais tarde, Clara se despediu de Malu e, em vez de ir embora, passou na casa de Erick. Ela levava um livro na bolsa e disse ao avô do menino que havia levado para ele estudar.
- Entendi, entre. Com licença, eu preciso ir para o quarto, a minha esposa não está muito bem. Boa noite!
- Tudo bem, boa noite e melhoras para ela – respondeu Clara.
Erick chegou em casa muito tarde. Clara estava cochilando no sofá. Ele entrou sem acordá-la e foi até o quarto dos avós, que sempre o esperavam voltar do estágio, mas naquela noite não estavam na sala.
 - E então, vô, é melhor levarmos a vovó para o hospital – disse Erick, vendo que sua avó não estava nada bem.
E assim o fizeram. Clara acordou, enquanto a ambulância buscava a avó de Erick. Ela levou um susto quando Erick a chamou, pedindo que fosse embora.
Erick e seu avô passaram a noite no hospital. Sua avó tinha piorado, a pressão havia subido e ela sentia dores no peito. Teria que ficar internada. Erick ligou para seu pai, pedindo que ele ficasse no hospital durante aqueles dias, já que ele tinha estágio, escola e curso e não poderia ficar com a avó. O avô dele dormiria ali aquela noite, mas no dia seguinte teria que voltar pra casa para descansar.
Na escola, Erick contou aos amigos e à namorada o ocorrido. Malu consolou-o a manhã inteira.
À tarde seu pai chegara de viagem e fora direto para o hospital.
Erick estava muito triste pela avó, mas precisou tocar sua vida para frente. Foi ao curso de desenho, mesmo sem vontade e, na volta, passou na igreja onde sua avó costumava assistir às missas e pediu ao padre que dedicasse uma missa a ela. À noite, Erick e Malu foram à missa.
Ele acabou chorando, encostado no ombro de Malu:
- Minha avó tem que melhorar... ela não merece sofrer assim.
- É claro que não merece, meu amor. Mas ela é forte, tenho certeza que vai melhorar logo e voltar pra casa.
Mas infelizmente não foi o que aconteceu. A avó de Erick havia falecido na manhã seguinte. Ele fora chamado na escola, no meio da aula de Educação Física; sua mãe, porém não pôde comparecer ao velório, pois ficara no interior cuidando dos negócios do marido.
Durante o velório, Erick não conseguia parar de chorar. Malu estava do seu lado, abraçando-o, quando Leandro e Clara chegaram. Leandro viu que seu amigo estava mal e buscou um copo com água. Sua avó realmente faria muita falta.




À noite, o pai de Erick voltara para o interior. Pelo resto da noite, Erick chorou muito, e ainda consolava seu avô. E aquela foi mais uma noite mal dormida. Erick dormiu tão mal que nem foi à aula no dia seguinte; estava de luto.
Malu passou na lanchonete depois da aula e comprou uma torta para tentar animar Erick. Mas ele não conseguiu comer direito. Leandro e Clara foram à casa dele junto com Malu, mas nada fazia o menino parar de chorar.
Mais tarde, o pai de Erick telefonara dizendo que levaria seu avô para morar no interior. Erick ficou furioso:
- E você acha que aí no interior ele vai ter uma vida digna? E se ele precisar de um atendimento urgente? Eu não aceito que leve meu avô daqui! Ah, então pergunta se ele quer ir!
O avô de Erick atendeu o telefone e, depois de quase uma hora de conversa, decidiu que se mudaria para o interior.
Erick não gostou nada da ideia. Malu falou com ele:
- Ah, meu amor, se seu avô decidiu isso, então deixa ele.
- Eu não acho que ele queira ir, só está indo pra agradar meu pai, que acha que manda em todo mundo. Meu pai só me dá motivos para eu detestá-lo!
- E o que você vai fazer, morando nesse casarão sozinho?
- Não sei... todo mundo me abandona. Pelo menos eu tenho os empregados.
- Não é a mesma coisa, eles não são a sua família.
Leandro sugeriu:
- Você pode vender esta casa e comprar uma menor, ou um apartamento perto do seu trabalho.
Malu não gostou, afinal Erick ficaria bem longe dela e eles mal iam se ver.
- Mas amor, e eu? Como vamos nos encontrar sempre?
- Calma, uma casa desse tamanho e preço não vende de um dia para o outro. Vai demorar muito e...
- Sim, demora, mas vende. E do mesmo jeito vamos morar longe um do outro. Seja amanhã, daqui a um mês, um ano, mas isso vai acontecer.
Clara e Leandro até que gostaram da ideia de Erick e Malu morarem longe um do outro. Não que eles estariam se unindo contra o namoro dos dois, mas seria uma chance a mais de Clara se aproximar de Erick, e Leandro de Malu. O destino acabaria fazendo o resto para eles ficarem juntos.
Aquele sábado fora bem agitado. O avô de Erick fora embora para o interior e Erick já havia procurado um corretor para vender seu casarão.

22 de novembro de 2017

10 Filmes que marcaram a minha infância (Anos 80/90)

novembro 22, 2017 0 Comments



Oii, no post de hoje eu trouxe 10 filmes que marcaram muito a minha infância e até hoje eu lembro das cenas que eu mais gostava. Graças ao meu pai, pude ter uma infância muito divertida e, às vezes até um pouco assustadora (hahaha!) com todos os filmes que ele colocava para eu assistir. Quem sabe você não se lembra de algum deles (se você nasceu na mesma época que eu)? Vamos lá!

19 de novembro de 2017

Uma Nova Vida - Capítulo 11

novembro 19, 2017 0 Comments

Os dois ficaram sentados no meio-fio, abraçados por um bom tempo, até que a mãe de Malu chamou-os para um lanchinho.
Erick contou-lhe sobre a entrevista e ficou na casa de Malu até o anoitecer.


Meses depois, a mãe de Malu recebeu um telefonema do marido. Ela contou à filha sobre a conversa que tiveram:
- Seu pai disse que está muito bem no Canadá e está convidando para passar uns dias com ele.
- Convidando quem? E bom pra ele que está muito bem por lá.
- Ele convidou nós duas, mas eu disse que você não vai poder ir por causa da escola.
- Não posso mesmo! Estou estudando para o vestibular, tenho vários trabalhos para fazer e ainda tem o Erick, não vou deixá-lo aqui sozinho de jeito nenhum.
- Entendi, filha. Você vai depois, nas férias, se quiser. Seu pai vai entender.
- Vocês estão se falando normalmente?
- Bem, acho que sim. Seu pai só estava fazendo suspense até resolver todas as coisas dele. Sabe como ele é, não conta nada pra ninguém enquanto não dá certo.
- Mas precisava ter tratado a gente daquele jeito? Mas fazer o que, né! Se vocês estão bem é o que importa...
Malu e Erick se encontraram na pracinha. Ele levou outro desenho dela.
- Olha, esse é o mais perfeito de todos! E vou guardar comigo lá em casa. Quem sabe eu não levo para o trabalho pra me servir de inspiração?
Malu sorriu. Ele continuou:
- Então, eu reservei uma mesa no melhor restaurante da cidade. Hoje à noite quero te levar lá e brindar o sucesso do meu estágio e o nosso amor também.
Malu achou aquilo muito romântico e encheu o namorado de beijos.
- Ai amor, você caiu do céu, nem deve existir um namorado mais fofo que você!
Aquela noite foi muito especial. Erick e Malu estavam muito felizes. Eles pediram um prato leve e, de sobremesa, comeram um pudim de amêndoas com calda de laranja. Estava tudo uma delícia; mas já era hora de voltar pra casa.
Ao chegar em casa, Erick viu Clara sentada na sala, esperando por ele.
- Oi Erick! Fiquei com vontade de te ver, afinal você nem tem dado mais atenção pra mim depois que começou a trabalhar.
- E por que eu deveria te dar atenção?
- Vocês não disseram que eu deveria participar de tudo? Então, to tentando ficar mais perto de vocês!
Erick se irritou:
- Tá, Clara, mas quando eu disse para participar das coisas do grupo, é com o grupo todo, não só nós dois, entendeu?
Clara colocou a mão no peito de Erick e disse:
- Desculpe, lindinho, eu só estava passando por aqui e quis te ver.
- Pois é, mas a Malu quase te viu. Você sabia que ela ia entrar aqui?
- Ai Erick... você tá muito irritadinho. Eu já pedi desculpas. Mas por que a Malu não entrou?
- Sei lá, ela achou que já era tarde e ia incomodar os meus avós. Aliás, quem abriu a porta para você?
- Foi a sua avó. Ela é tão fofinha! – riu Clara – Mas pediu licença e foi dormir. E onde você foi com a Malu que não chamou o resto do grupo?
- Estávamos em um encontro romântico! Será que dá para nos deixar namorar em paz?
Clara se afastou, respondendo:
- Okay, tudo bem... é melhor eu voltar pra casa.
- Sim, vou mandar o meu motorista te levar.
- Não precisa, o meu motorista está esperando lá fora. Tchau, lindinho, boa noite.
Malu ainda não havia dormido. Passara quase meia hora escutando música no MP3. Sua mãe foi até seu quarto lembrá-la da hora de dormir.
No dia seguinte, Erick e Clara se olharam como dois estranhos na escola. Clara percebeu que ele não queria papo com ela e acabou ficando um clima estranho entre os dois.
Leandro viu que algo estava errado e esperou a hora do recreio para falar com o amigo. Malu estava tão apaixonada que mal prestava atenção nas aulas e nas pessoas ao seu redor. Sorte da Clara, porque se Malu descobrisse sobre a noite anterior não teria perdão, era a sua última chance.


No intervalo, Leandro chamou Erick num canto para entender o que havia acontecido.
- Então, cara, to te achando sério demais, vai, me conta!
- É a Clara. Eu saí com a Malu ontem à noite, e quando voltei adivinha só. A Clara estava me esperando na minha casa, minha avó deixou ela entrar...
- Ih, caramba! E a Malu?
- Não sabe de nada. A Clara quase me agarrou, passou a mão no meu peito e veio com uma conversa estranha que ficou com vontade de me ver. Ah, cara, isso me irritou tanto, você nem imagina. Acho que ela já tá abusando da amizade.
Leandro desviou o olhar e disse:
- Se você não amasse tanto a Malu, eu diria para você ficar com a Clara pelo menos uma vez, só pra ela parar com isso.
- Não, de jeito nenhum. Nem se eu não amasse a Malu. Esse negócio de ficar só uma vez com mulher apaixonada não dá certo. Você dá uma chance e ela já acha que é namoro sério. Eu a Malu fomos feitos um para o outro. E se a Clara não se colocar em seu devido lugar, vai sair do grupo de novo!
Malu viu os dois conversando no cantinho e foi falar com eles. Leandro viu a tempo e disfarçou, piscando para o amigo:
- Então, cara, a gente combina direitinho,.
Malu interrompeu:
- O que vocês estão planejando, hein?
- Ah, amor, é que... o Lê tava pensando em passar lá em casa pra ver meus desenhos, né, cara?
- É, pois é, eu vou num fim de semana, beleza? – respondeu Leandro e saiu andando.
Malu achou estranho e comentou:
- Vocês dois estão estranhos, era sobre isso mesmo que vocês estavam falando?
- Claro, amor! Depois da aula vamos na pracinha? Só nós dois... quero ficar agarradinho com você, te dar uns beijinhos...
Malu sorriu, sem graça:
- Ah, tudo bem... depois passamos lá em casa para experimentar a torta de maçã com coco que minha mãe inventou.
Clara observava os dois de longe, com ciúmes. Ela não conseguia se conformar com esse namoro e queria conquistar o Erick de qualquer jeito. Nunca havia ficado com nenhum outro garoto, esperando que Erick a visse com outros olhos. Ela não se cansava de inventar planos para estar sempre perto dele, sem que Malu percebesse.
À tarde, Malu e Erick se encontraram na praça. Clara estava atrás dos arbustos e ninguém a viu. Ela ficou ali, a tarde toda admirando a beleza de Erick. Quando eles se levantaram para ir à casa de Malu, Clara foi atrás deles, fingindo se encontrar em eles por acaso:
- Oi gente, que coincidência! Estão indo pra onde?
- Pra minha casa! – respondeu Malu.
- Posso ir? Estou sem nada pra fazer agora. Eu prometo que não vou demorar. Deixa, Malu, vai! É rápido mesmo.
Clara tanto insistiu que Malu deixou que ela fosse com os dois para sua casa.


A mãe de Malu contou que viajaria para o Canadá no fim de semana seguinte, para ver seu marido. Clara intrometeu:
- Ai, que máximo! Eu amo o Canadá, já fui pra lá três vezes!
Erick e Malu sorriram. A mãe de Malu continuou:
- Mas eu volto em alguns dias. Juízo, filha!
- Pode deixar, mãe, eu tenho juízo de sobra – respondeu Malu e olhou para Clara, que abaixou a cabeça.
Mais tarde, o motorista de Clara tocou o interfone e pediu que a menina descesse:
- Clara, seu avô telefonou, mandou você voltar pra casa antes do anoitecer. Desça logo!
Clara se despediu.
No fim de semana, a mãe de Malu viajou para o Canadá. Malu e Erick foram se despedir no aeroporto. Malu aproveitou o resto daquela tarde para estudar para a prova que teria na segunda-feira. Erick ficara em casa, desenhando e, mais tarde, acabou estudando um pouco também.
O interfone tocou e Erick atendeu:
- Mas você de novo, Clara? Você já está me irritando!
- Posso entrar?
Erick abriu o portão. Clara entrou e lhe deu um abraço. Ele se irritou:
- Olha, Clara, quantas vezes vou ter que dizer que eu amo a Malu? E... eu estava estudando, você não vai estudar pra prova?
- Eu não, já sei a matéria toda de cor. Mas me diz aqui, eu duvido que você não sente nada por mim, Erick. Fala sério, eu sou muito mais bonita que a Malu!
- Lá vem você... eu sinto pena de você, fica se humilhando para tentar me ganhar. Olha, Clara, por que você não para de me encher e esquece essa ideia maluca de querer ficar comigo?
Clara abaixou a cabeça, pensativa. E lembrou-se do que Leandro dissera sobre seu sentimento por Malu. Clara continuou:
- Imagine se fosse você que amasse alguém há muito tempo e, de repente chega outra pessoa que você nem imagina e rouba seu grande amor, aquele que você queria ter bem antes dessa pessoa chegar, mas estava só esperando a hora certa para se declarar... Coloque-se no meu lugar! O que você faria se alguém tentasse roubar a sua Maluzinha?
- Bem, eu não sei. Mas como assim? Tem alguém tentando roubar a Malu de mim?
Clara sorriu ironicamente e respondeu:
- Não, Erick, imagina, foi só uma suposição. Mas vai que tem alguém de olho nela, né...
- Você sabe de alguma coisa? Pode falar!
- Não, já disse que não sei de nada. E olha só, eu te amo desde os meus onze anos, aí fizemos doze e a Malu apareceu na sua vida pra estragar tudo! Você sabe como isso dói? Não, você não sabe, porque se soubesse teria me escolhido!
Erick segurou Clara pelos braços e pediu:
- Para de fazer drama, daqui a pouco minha avó vem ver o que está acontecendo.
- Erick, então me escuta, eu te amo há muito mais tempo que ela, não vai nem me dar uma chance?
- Já chega, Clara, sai da minha casa, por favor!
- Não me trata assim! Eu tenho sentimentos... e você faz questão de pisar neles!

Clara saiu correndo chorando; entrou no carro e se foi.


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